Agora sou minha própria chefe

Desde novembro de 2019 eu vivia emocionalmente em dúvida se eu deveria continuar trabalhando em escola ou se me dedicava a me estabelecer como profissional autônoma. Mesmo organizada financeiramente não acreditava muito na possibilidade de viver trabalhando 100% pra mim. E se não tiver aluno? E se eu adoecer? E quando eu tiver mais um filho?

Então a pandemia não teve fim, eu tive mais uma temporada em escola particular e finalmente em setembro de 2021 eu me tornei MEI com CNPJ e tudo. Em abril de 2022 eu completei 7 meses de autonomia. Tenho alunos particulares que fazem aula em dupla e outros que fazem aulas individuais. E nesses meses o que eu menos pude fazer foi planejar aulas 🤡

Elabora contrato, aprende a emitir nota fiscal, declara Imposto de Renda (de PJ), organiza agenda para remarcações de aulas, atende possíveis novos alunos, reflete sobre como impor limites e lembrar as pessoas de que a aula particular não é aula on demand (rindo – de nervoso) e ainda planeja aula, ajusta sequência didática, estuda um pouco, assiste a um webinário, participa de uma conferência. Você fazia ideia de que o seu professor particular fazia tudo isso?

Mas ó, esse não é um post de reclamação (prometo que juro 🤞). É um post sobre processos. Sobre o tempo que as coisas levam. Sobre paciência, ver o copo meio cheio, lembrar que tudo passa, e aprender a descansar ao invés de desistir. Nesses meses eu aprendi a reconhecer meus limites. Limites físicos – de cansaço por ir e vir de várias aulas com pouco intervalo entre elas; mentais – de fadiga e de falta de criatividade, seja por excesso de telas ou por estar consumida por demandas não pedagógicas; emocionais – por ver meu tempo convertido em moeda não valorizada, e às vezes por eu mesma desvalorizar meu esforço e dedicação – e isso tudo me trouxe onde estou hoje. Sabendo de tudo já? I wish! Mas sabendo em que parte do caminho estou, identificando quando parar pra tomar uma água de coco antes de continuar a caminhada sempre aproveitando a paisagem.

Estou aprendendo o que é prioridade, o que ninguém pede ou vê mas considera importante ao estudar inglês, o que os alunos precisam além de se comunicar em outro idioma quando me procuram. Tem sido desafiador, mas ainda não estou pronta para desistir. E tô com boas expectativas de que assim como quando entramos numa escola nova o primeiro ano é o mais complexo e desafiador, depois os processos se tornam mais conhecidos, a gente ganha mais segurança, e pode se dedicar com mais tempo e energia (é o meu desejo pro futuro) ao que quer mesmo fazer: dar aulas interessantes, que proporcionem trocas e aprendizados de inglês e da vida. 💖

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